Recife chuvosa. Tarde de quarta-feira. Depois de chegar no trabalho eu choro. Corpo estranho. Não é pressão. Pausa. Não é diabetes. Já era a notícia trágica que viria às onze horas da noite. Morte. Uma confusão se achegou ao meu corpo, uma crise de ansiedade, um quase pânico, por quê? Não se sabia. eu achava que devia-se ao convite para dar aula, ao outro convite para falar sobre autismo, à mensagem cheia de afeto recebida após um atendimento lindo, ao curso que está para começar, à reunião que consegui agendar, à passagem que deu certo para viajar, às muitas e muitas janelas boas que se abriram e eu me perguntando: será? Medo de tantas coisas ao mesmo tempo, se minha vida sempre foi assim. Ai, de mim! Antes da noite terminar, ainda que com os olhos marejados, o trabalho não tem tempo de parar, há o outro para apoiar, compromissos inadiáveis, ao menos não sob justificativa de uma tristeza - sem tempo parar sermos tristes! Durante o trabalho, de antes de dez da noite e depois, liga...
Sobre atravessamentos, afetos e a experiência das ressonâncias.