"BATER" foi um ato falho ali!
Me tomou uma revolta tamanha: a de perceber que, ainda hoje, me encontro na dinâmica do "caber". É plausível que "bater" me invada ao escrever sobre isso, porque, de fato, existe uma vontade ardente dentro de mim que pede uma ação concreta com força motriz e afeto voraz para afastar? Para me punir? Para tratar com violência do que vem me violentando ao longo dos anos? Talvez, tudo isso e todas as outras formas simbólicas que ainda nem me dou conta na representação dessa palavra.
O desejo é mesmo um ímpeto, por vezes irrequieto, nada discreto, mas, por outras, uma raposa, astuta silenciosa que só se põe a sorrir para manifestar-se à vítima já emboscada.
Entrei em contato com mais um dilema daqueles que alteram o sentido da vida, o ruma das decisões... É o peso de quando a consciência recai sobre nossas mãos diante dos nossos olhos com odor de constatação! É assim que as águas se dividem, e sendo assim, mais um veio dos meus tantos desaguares amazônicos do meu interior.
Me vem a imagem da nascente... não, não sei onde está, mas sei que o cerne da questão está justamente lá, na misteriosa nascente perdida registrada, de alguma forma - e não de forma alguma - em meu psiquismo, definindo subjetividades, forjando identidade, mas, por sorte, antiessencialista. Ai, de mim, se imutável eu fosse. Houve um período em que "ter uma essência" soava como cintilares de pó-de-estrela entre orvalhos e pirilampos de uma sublime natureza pura. De repente, o MUNDO! A vida encarnada em uma experiência corpórea em um espaço "entre" o palpável, o sentível, o pensável, o etéreo, o possível...
Me pareço querer caber no desejo do feminino, aquele que, vó, me fez páreo ao crucificado; aquele que, mãe, me perspectivou ao puro e imaculado; aquele que, parente, me enjaulou nas palavras mal ditas; aquele que, tia, me confiou a esperança do mundo; aquele que, professora, acreditou sem ajuizamento algum (que bom); aquele que, chefe, me atirou às pedras da desconfiança; aquele que, "amiga", me deu e me tomou na mesma proporção; aquele que, doutora, não se deixa atravessar pela minha cosmovisão; aquele que, coisa alguma, me entranha com olhar-monstro do julgamento; aquele que, fêmea, nunca me permite chegar - e agora aqui é comigo...
E me[u] desejo quando me vejo não alcançando o [meu] desejo? Romper! Talvez eu já tenha rompido o cordão umbilical, ou uma parte significativa dele. Mas, meu desejo, por ora, é romper com os elos que me colocam - ou que eu me coloco - em uma ótima do inalcançável no desejo desse outro, o outro-feminino. E, sabe o que me atravessa ao dizer isto? Qual feminino? O que é o que é (se é que algo é o que é...)? O feminino que se manifesta? O feminino que projeto? O feminino do "não eu-meu" (mais que meu"?
E que as resolutivas dessa trama não se reduzam apenas a deslocar meu desejo para o masculino. Existe uma área cinzenta da vida, que, confesso, adoro habitar: o campo do possível, o campo do não saber, o campo do devir.
E me[u] desejo quando me vejo não alcançando o [meu] desejo? Romper! Talvez eu já tenha rompido o cordão umbilical, ou uma parte significativa dele. Mas, meu desejo, por ora, é romper com os elos que me colocam - ou que eu me coloco - em uma ótima do inalcançável no desejo desse outro, o outro-feminino. E, sabe o que me atravessa ao dizer isto? Qual feminino? O que é o que é (se é que algo é o que é...)? O feminino que se manifesta? O feminino que projeto? O feminino do "não eu-meu" (mais que meu"?
E que as resolutivas dessa trama não se reduzam apenas a deslocar meu desejo para o masculino. Existe uma área cinzenta da vida, que, confesso, adoro habitar: o campo do possível, o campo do não saber, o campo do devir.
Sigo nessa construção chamada vida, feita de constantes desmoronamentos...
24 de março de 2026
Allan Maykson
@allanmaykson
___________________
[ ]* Resolvi denunciar os atos falhos dessa forma (ao menos os que eu puder notar...)
Comentários
Postar um comentário